Homenagem
Rui Miguel S F
Desceu um manto branco pela planície
e, o céu azul procurou o abraço
da planura do horizonte.
Olho o espaço aberto
agora tão vazio.
O tempo despiu-te da terra
e as tuas searas outrora douradas
já não dançam ao vento.
Hoje, hoje é um deserto antigo
e, a memória o meu único abrigo.
a Avó, 02.05.1909 - 21.03.2008
sexta-feira, março 21, 2008
domingo, março 16, 2008
Nunca deixei de te ouvir
Nunca deixei de te ouvir
Rui Miguel S F
Nunca deixei de te ouvir,
murmuras-me como a água do mar,
oiço-te na noite,
durante os dias.
Tens o sabor da água salgada
e és como um farol longínquo
de luz dispersa na névoa.
Eu, ainda mergulho em ti
faço-me à areia e olho-te de perto
'tás nua e transparente
és como um sopro de espuma salgada
que me acaricia a pele e solta o teu sabor
de praia ao luar d'uma noite quente,
e às escuras há um caminho em mim
sempre para ti.
Rui Miguel S F
Nunca deixei de te ouvir,
murmuras-me como a água do mar,
oiço-te na noite,
durante os dias.
Tens o sabor da água salgada
e és como um farol longínquo
de luz dispersa na névoa.
Eu, ainda mergulho em ti
faço-me à areia e olho-te de perto
'tás nua e transparente
és como um sopro de espuma salgada
que me acaricia a pele e solta o teu sabor
de praia ao luar d'uma noite quente,
e às escuras há um caminho em mim
sempre para ti.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Boleros
Há poucos meses, ensinaram-me a ouvir boleros. Não foi necessário muito para passar a ficar horas a ouvir a intensidade deste género musical. É um tipo de música que vive da força interior. É uma música que vem da alma e depressa nos encontramos envolvidos pelo seu embalo. É uma viagem sentimental.
Há vários artistas maravilhosos que interpretam o género. Los Panchos com Eyde Gorme, Chavela Vargas, Maria Martha Serra Lima, Luis Miguel, Pablo Milanez entre muitos outros que se vão descobrindo. Há os dos boleros mais clássicos, os dos mais intensos e interiores (os meus eleitos) e as novas interpretações (como com Lila Downs). Los Panchos com Eyde Gorme e Chavela Vargas são os meus preferidos. Por esta música viaja-se por toda a América Latina, pelos seus poetas e por lugares que se despenham na alma; pueblos mexicanos com praças em festa em noites quentes, o mar de Peru, Buenos Aires num entardecer em Puerto Madero ou uma noite solidão à luz da lua do Chile...
Eu comecei ao acaso com Chavela Vargas. Ouvi "Tu me acostumbraste" (uma música absolutamente incrível) repetindo-a sem parar. Encontrava nela sempre um novo sentido, um novo significado. Depois, uma amiga querida e para siempre inolvidable começou por dar-me a "Sabor a mí" interpretada por Los Panchos e Eyde Gorme, e apartir daí não mais deixei de ser acompanhado pelo género nas tristezas, nas alegrias, nas euforias... Procurei tudo de Chavela e de Los Panchos.
De Chavela Vargas, para além da música que não tenho forma de explicar a sua intensidade, a sua forma ou a forma como se atira à alma como um lobo se atira à sua presa, tem ainda a particularidade de ser uma pessoa para lá do extraordinário. Repleta de bravura, depois de chegar ao México, país que a acolheu vinda da Costa Rica, conviveu e teve como amigos personalidades como Frida Kahlo, Diego Rivera, Guadalupe Amor ou Dolores del Rio. Com 87 anos vive, canta e faz viver. É uma lenda.
Com Los Panchos (e Eyde Gorme em particular) o registo adocia-se, mas não se deixa domar.
A alma agradece, pois vê-se a princípio exposta das suas fraquezas, para depois lentamente se deixar revelar e pacificar deixando as dores tornarem-se sorrisos de vida.. e tudo em forma de canto.
Claro que o amor pela música e pela multiculturalidade são condição primárias. Se for o seu caso, deixe-se levar e verá que está perante uma das melhores terapias.
Luz de luna pela lendária Chavela Vargas
Yo quiero luz de luna
Para mi noche triste
Para soñar divina
La ilusión que me trajiste
Para sentirte mía, mía tú
Como ninguna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Si ya no vuelves nunca
Provincianita mía
A mi senda querida
Que está triste y está fría
En vez de en mi almohada
Lloraré sobre mi tumba
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Yo siento tus amarras
Como garfios, como garras
Que me ahogan en la playa
De la farra y el dolor
Y siento tus cadenas a rastras
En mi noche callada
Que sea plenilunada
Y azul como ninguna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido
luz de luna.
Sabor a mí com o trio Los Panchos e a belíssima voz de Eyde Gorme
Paloma Negra uma música tornada imortal por Chavela Vargas na voz de Lila Downs
domingo, fevereiro 10, 2008
Mudanças no horizonte
As eleições americanas de 2008 merecem um olhar muito atento.
Seja qual for o candidato eleito a presidente, não penso que se produzam grandes modificações a nível global das políticas até agora praticadas, sobretudo porque o que se passa na política internacional é hoje uma "quase fuga para a frente" na espectativa de que alguma coisa possa acontecer que deflagre uma solução que agrade a todos (bem sabemos da impossibilidade de tal acontecimento). Falo, claro está, do conflito no Iraque e toda a instabilidade daquela região do mundo. Ao invés, penso que a nível interno nos EUA possam acontecer mudanças significativas dependendo do candidato eleito.
Mas, há um outro sinal para o mundo vindo das primárias americanas. Temos um negro e uma mulher a disputar um lugar. Não creio que essa mensagem tenha o devido destaque em Portugal, onde a nossa democracia está cada vez mais reduzida de representatividade.
Seja qual for o candidato eleito a presidente, não penso que se produzam grandes modificações a nível global das políticas até agora praticadas, sobretudo porque o que se passa na política internacional é hoje uma "quase fuga para a frente" na espectativa de que alguma coisa possa acontecer que deflagre uma solução que agrade a todos (bem sabemos da impossibilidade de tal acontecimento). Falo, claro está, do conflito no Iraque e toda a instabilidade daquela região do mundo. Ao invés, penso que a nível interno nos EUA possam acontecer mudanças significativas dependendo do candidato eleito.
Mas, há um outro sinal para o mundo vindo das primárias americanas. Temos um negro e uma mulher a disputar um lugar. Não creio que essa mensagem tenha o devido destaque em Portugal, onde a nossa democracia está cada vez mais reduzida de representatividade.
Mas, essa parece-me a grande mudança. Hillary é o rosto da coragem depois dos escândalos a que foi sujeita no passado como Primeira Dama. Obama é o primeiro negro com reais possibilidades de se tornar Presidente do EUA. Pela primeira vez o mundo assiste a uma luta de poder mais próxima da representatividade. É uma revolução ao nível da consciência humana. É uma imagem muito poderosa: nos EUA na disputa do lugar mais poderoso pela primeira vez um homem negro e uma mulher. Impensável à poucos anos.
Não sei das reais capacidades de um e de outro. Dos lobbys que os apoiam não sei ao certo, mas o que podemos olhar com atenção é para a abertura que o mundo lentamente (demasiadamente) começa a ter para a diversidade e igualdade de direitos.
Não sei das reais capacidades de um e de outro. Dos lobbys que os apoiam não sei ao certo, mas o que podemos olhar com atenção é para a abertura que o mundo lentamente (demasiadamente) começa a ter para a diversidade e igualdade de direitos.
O país mais rico, poderoso e odiado do mundo está a dar uma lição democrática extraordinária (revolucionária) e acendeu mais uma vez o rastilho. A mudança está aí, só precisamos de não a ignorar.
domingo, fevereiro 03, 2008
Sons ambientes.. (Domingos a.m.)
Sons ambientes..
(Domingos a.m.)
As manhãs de Domingo instrospectivas, acontecem-me ao sabor de certos elementos específicos. Não que eles sejam absolutamente necessários para que "isso" aconteça, mas têm a propriedade de acelerar ou retardar o tempo e a sua constância. Hoje é o frio, a chuva, o vento, o cinzento do dia para lá do grande vidro que me separa do toque deles. Cá dentro é o café e o seu aroma intenso, o conforto e algumas músicas em ambiente. Corro algumas revistas e jornais internacionais e há neles grandes acontecimentos, outros pequenos também. O mundo parece infinito e no instante seguinte parece tão pequeno e ao alcance de nós.
As pessoas são fantásticas na sua diversidade e na viagem que fazemos nelas encontramo-nos a nós.
Gosto dos Domingos de manhã assim.
Sugestão a) Alice Russell - To Know This (Live at Hanbury Ballroom)
Sugestão b) Mariana Aydar - Beleza Pura
Sugestão c) Céu: Malemolencia
(Domingos a.m.)
As manhãs de Domingo instrospectivas, acontecem-me ao sabor de certos elementos específicos. Não que eles sejam absolutamente necessários para que "isso" aconteça, mas têm a propriedade de acelerar ou retardar o tempo e a sua constância. Hoje é o frio, a chuva, o vento, o cinzento do dia para lá do grande vidro que me separa do toque deles. Cá dentro é o café e o seu aroma intenso, o conforto e algumas músicas em ambiente. Corro algumas revistas e jornais internacionais e há neles grandes acontecimentos, outros pequenos também. O mundo parece infinito e no instante seguinte parece tão pequeno e ao alcance de nós.
As pessoas são fantásticas na sua diversidade e na viagem que fazemos nelas encontramo-nos a nós.
Gosto dos Domingos de manhã assim.
Sugestão a) Alice Russell - To Know This (Live at Hanbury Ballroom)
Sugestão b) Mariana Aydar - Beleza Pura
Sugestão c) Céu: Malemolencia
sábado, dezembro 22, 2007
A vida é um romance, somos novas possibilidades e a saudade
A vida é um romance
Gostamos de chamar simples às coisas que são providas de pouco grau de liberdade, e complexas às coisas envoltas em numerosos graus de liberdade. A ideia de reduzir a complexidade a fenómenos simples sujeitos a leis deterministas e reversíveis domina as ideias. Estas ideias deterministas reduzirem as sociedades a lugares desenhados geometricamente, onde o indivíduo faz parte de uma engrenagem qualquer matemática. Tudo parece estar previamente determinado por um regime de leis visíveis, invisíveis outras. Das leis comportamentais, às leis morais, ao desenho geométrico do espaço da cidade, ao desenho hierárquico social, tudo passou a poder ser previsto e antecipado, sendo o imprevisto reduzido, separado, ostracizado a um local invisível da sociedade, as margens da mesma. A engrenagem social determina o caminho, ou as variantes para um mesmo.
Mas, a vida é um romance, envolto em entropia.
Gostamos de chamar simples às coisas que são providas de pouco grau de liberdade, e complexas às coisas envoltas em numerosos graus de liberdade. A ideia de reduzir a complexidade a fenómenos simples sujeitos a leis deterministas e reversíveis domina as ideias. Estas ideias deterministas reduzirem as sociedades a lugares desenhados geometricamente, onde o indivíduo faz parte de uma engrenagem qualquer matemática. Tudo parece estar previamente determinado por um regime de leis visíveis, invisíveis outras. Das leis comportamentais, às leis morais, ao desenho geométrico do espaço da cidade, ao desenho hierárquico social, tudo passou a poder ser previsto e antecipado, sendo o imprevisto reduzido, separado, ostracizado a um local invisível da sociedade, as margens da mesma. A engrenagem social determina o caminho, ou as variantes para um mesmo.
Mas, a vida é um romance, envolto em entropia.
Quando em 1911, o Barão Fourrier descobre a lei segundo a qual o fluxo de calor é determinado pelo gradiente de temperatura - começa o calor ir do quente para o frio, introduziu uma orientação temporal, um elemento irreversível, em contradição absoluta com as leis da ciência clássica. Fez escândalo naquela época entre os newtonianos. Foi a prova de que o mundo, implicitamente, concilia duas visões: uma obedecendo a leis, deterministas e outra fiel à entropia ao indeterminismo, à liberdade. Foi a ruptura com o determinismo.
A ciência compreendeu à muito que o universo é muito diferente daquela geometria intemporal que correspondia ao ideal da ciência clássica. O mundo que começamos a decifrar é mais parecido com um romance, onde as histórias se ligam umas às outras: a história cosmológica, a história da vida e a nossa própria história.
A ciência compreendeu à muito que o universo é muito diferente daquela geometria intemporal que correspondia ao ideal da ciência clássica. O mundo que começamos a decifrar é mais parecido com um romance, onde as histórias se ligam umas às outras: a história cosmológica, a história da vida e a nossa própria história.
Somos novas possibilidades
Ainda não estamos habituados a uma visão que considera a complexidade do universo, a complexidade de nós próprios, dos nossos caminhos individuais. Sempre o soubemos e sempre optámos pelo facilitismo organizacional do previamente derterminado. Aquilo a que chamamos de organização revelou-se um lugar de esquizofrenia e de floresta de muros visíveis e invisíveis. Ao olharmos a natureza encontramos um princípio de auto-organização longe do equilíbrio. É importante que seja longe do equilíbrio, porque dentro do equilíbrio somos apenas matéria inerte, passiva. Longe do equilíbrio, a matéria torna-se activa. Explora, sem parar novas possibilidades.
Tentar reduzir o que somos a uma simplicidade definida por uma equação matemática ou definição gramatical ou a um código de conduta será desligarmo-nos das possibilidades; sairemos do caminho da liberdade, da descoberta, dos sentimentos.
Ainda não estamos habituados a uma visão que considera a complexidade do universo, a complexidade de nós próprios, dos nossos caminhos individuais. Sempre o soubemos e sempre optámos pelo facilitismo organizacional do previamente derterminado. Aquilo a que chamamos de organização revelou-se um lugar de esquizofrenia e de floresta de muros visíveis e invisíveis. Ao olharmos a natureza encontramos um princípio de auto-organização longe do equilíbrio. É importante que seja longe do equilíbrio, porque dentro do equilíbrio somos apenas matéria inerte, passiva. Longe do equilíbrio, a matéria torna-se activa. Explora, sem parar novas possibilidades.
Tentar reduzir o que somos a uma simplicidade definida por uma equação matemática ou definição gramatical ou a um código de conduta será desligarmo-nos das possibilidades; sairemos do caminho da liberdade, da descoberta, dos sentimentos.
E a saudade
Podia ser o amor, mas a saudade é a sétima palavra de mais difícil tradução de todas as palavras conhecidas no mundo, segundo a empresa Today Translations. São estas palavras que nos fazem compreender um pouco do cariz e complexidade cultural do outro, de outras histórias da vida. Elas obrigam a uma reflexão, à experiência cultural das palavras, pois muitas delas são sinónimos de estados de alma muito particulares. Se me pedirem para traduzir a palavra saudade eu dar-lhes-ei a ouvir esta música.
Guarda-me a vida na mão
(interpretado por Ana Moura)
Guarda-me a vida na mão
Guarda-me a vida na mão
Guarda-me os olhos nos teus
Dentro desta solidão
Nem há presença de Deus
Como a queda dum sorriso
P’lo canto triste da boca
Neste vazio impreciso
Só a loucura me toca
Esperei por ti todas as horas
Frágil sombra olhando o cais
Mas mais triste que as demoras
É saber que não vens mais
É saber que não vens mais
Continuamos a ser um mistério que alguns querem desvendar e outros controlar; deixar o iceberg devidamente mergulhado. A liberdade é quando nos desvendamos no outro descobrindo o que o outro é em nós.
Mistérios
(Luis Fernando Verissimo)
Ninguém é o que parece
ou o que aparece.
O essencial não há quem enxergue.
Todo mundo é só a ponta
do seu iceberg.
Que 2008 permita o mundo avançar pelo caminho da descoberta.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Espelhos
É manhã. O dia está lindo, o sol espreita pelas frestas da janela. Há uma brisa morna e um dia simpático espera por nós...
Reflexões no espelho
(Luis Fernando Verissimo)
Por onde anda a gente quando dorme
pra acordar com esta cara disforme
de quem fez o que não devia?
E este gosto na garganta
é o resto do que janta
de que secreta ambrosia
de que gim ou malvasia?
E se só estivemos no leito
por que acordar deste jeito
com este olhar de pouco assunto?
Pra onde vai meu ser noturno
pra me deixar assim soturno
- e por que não me leva junto?
Reflexões no espelho
(Luis Fernando Verissimo)
Por onde anda a gente quando dorme
pra acordar com esta cara disforme
de quem fez o que não devia?
E este gosto na garganta
é o resto do que janta
de que secreta ambrosia
de que gim ou malvasia?
E se só estivemos no leito
por que acordar deste jeito
com este olhar de pouco assunto?
Pra onde vai meu ser noturno
pra me deixar assim soturno
- e por que não me leva junto?
domingo, agosto 26, 2007
Canção popular do Quebec, cuja interpretação de Shang Wenjie & The Choir of Beijing Takah é maravilhosa. Está no filme The painted veil.
"A La Claire Fontaine"
À la claire fontaine, m'en allant promener,
J'ai trouvé l'eau si belle que je m'y suis baigné.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Sous les feuilles d'un chêne, je me suis fait sécher.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Sur la plus haute branche, un rossignol chantait.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Chante, rossignol, chante, toi qui as le coeur gai;
Tu as le coeur à rire, moi je l'ai à pleurer.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
J'ai perdu mon ami sans l'avoir mérité.
Pour un bouquet de roses que je lui refusai.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Je voudrais que la rose fût encore au rosier,
Et que mon douce ami fût encore à m'aimer
"A La Claire Fontaine"
À la claire fontaine, m'en allant promener,
J'ai trouvé l'eau si belle que je m'y suis baigné.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Sous les feuilles d'un chêne, je me suis fait sécher.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Sur la plus haute branche, un rossignol chantait.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Chante, rossignol, chante, toi qui as le coeur gai;
Tu as le coeur à rire, moi je l'ai à pleurer.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
J'ai perdu mon ami sans l'avoir mérité.
Pour un bouquet de roses que je lui refusai.
Il y a lontemps que je t'aime, jamais je ne t'oublierai.
Je voudrais que la rose fût encore au rosier,
Et que mon douce ami fût encore à m'aimer
quarta-feira, abril 04, 2007
Marcha dos desalinhados
Resistir é das acções humanas mais difíeis de se cumprir. A mais difícil, dura, isolada e desafiante. A mais completa do ser-se num momento, num espaço.
Quando teremos consciência do que que nos impele, daquilo que nos move?
O conhecimento não nos tornou livres, nem nos tornará, ao invés, continuamos as mesmas presas fáceis e desamparadas de toda a espécie de loucura. Apenas, hoje, mais vulneráveis à massificação imparável das coisas e dos actos.
Ser livre é uma acção interior bem dentro da alma que transpira pelos olhos de quem por ela (leia-se liberdade) se expressa e comunica. Ser livre é cada vez mais resistir cá dentro.
Eu não quero ficar parado
fico velho
vou marchar até ao fim
isolado
Nesta marcha solitá¡ria
dou o corpo ao avançar
neste campo aberto ao céu
Ninguém sabe
para onde eu vou
ninguém manda
em quem eu sou
sem cor nem deus nem fado
eu estou desalinhado
Por tudo o que lutei
ser sincero
por tanto que arrisquei
ainda espero
Esta marcha imaginária
quantas baixas vai deixar
neste sonho desperto?
terça-feira, março 27, 2007
Leave your stepping stones behind, something calls for you
...ainda não aprendi a colocar aqui um "reprodutor" de música.. então, ficam as letras da dita! No fundo, acho que elas dizem tudo, a melodia aparece algures no momento da sua leitura.
It's All Over Now, Baby Blue
(Bob Dylan)
You must leave now, take what you need, you think will last
But whatever you wish to keep, you better grab it fast
Yonder stands your orphan with his gun
Crying like a fire in the sun
Look out the saints are comin' through
And it's all over now, Baby Blue.
The highway is for gamblers, better use your sense
Take what you have gathered from coincidence
The empty handed painter from your streets
Is drawing crazy patterns on your sheets
This sky, too, is folding under you
And it's all over now, Baby Blue.
All your seasick sailors, they are rowing home
Your empty handed armies, are all going home
Your lover who just walked out the door
Has taken all his blankets from the floor
The carpet, too, is moving under you
And it's all over now, Baby Blue.
Leave your stepping stones behind, something calls for you
Forget the dead you've left, they will not follow you
The vagabond who's rapping at your door
Is standing in the clothes that you once wore
Strike another match, go start a new
And it's all over now, Baby Blue.
It's All Over Now, Baby Blue
(Bob Dylan)
You must leave now, take what you need, you think will last
But whatever you wish to keep, you better grab it fast
Yonder stands your orphan with his gun
Crying like a fire in the sun
Look out the saints are comin' through
And it's all over now, Baby Blue.
The highway is for gamblers, better use your sense
Take what you have gathered from coincidence
The empty handed painter from your streets
Is drawing crazy patterns on your sheets
This sky, too, is folding under you
And it's all over now, Baby Blue.
All your seasick sailors, they are rowing home
Your empty handed armies, are all going home
Your lover who just walked out the door
Has taken all his blankets from the floor
The carpet, too, is moving under you
And it's all over now, Baby Blue.
Leave your stepping stones behind, something calls for you
Forget the dead you've left, they will not follow you
The vagabond who's rapping at your door
Is standing in the clothes that you once wore
Strike another match, go start a new
And it's all over now, Baby Blue.
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